Hoje na volta do trabalho pra casa, encontrei uma senhora, saindo do Hospital Mário Pena, que havia acabado de receber um diagnóstico de câncer de mama. Ela cantava uma música religiosa, e puxou assunto pra me contar sobre a notícia que acabara de receber. Ela me falou com muita fé sobre o poder de Deus em promover a sua cura, eu confirmei que sim, que Deus a curaria! Falei coisas do tipo "Deus cura por meio da medicina", perguntei do tratamento, etc.. ela firme, falou que mesmo que a medicina falhasse, Deus poderia curar, que fosse feita a Sua vontade. Depois, como de costume em BH, reclamou do transito, do quanto demoraria pra chegar em casa. Estava angustiada, precisava conversar. Procurou em mim, uma desconhecida, alguém pra desabafar, mas na verdade ela não falava pra mim, falava pra si, ainda tentando digerir a noticia. Fomos conversando até o ponto em que nossos caminhos desencontraram-se, eu lhe recomendei ir com Deus e prometi incluir a sua cura entre minhas preces e orações. Segui meu caminho, pensando mais uma vez em como a vida é frágil.. Continuei caminhando, meio nostálgica, pensando se podia ter feito mais alguma coisa, dado uma palavra a mais de conforto, enfim, sentindo o peso da impotência diante de certos acontecimentos.. Segui assim até encontrar uma menininha de no máximo dois anos, que perguntava a mãe se podia correr. Recebida a autorização, ela começou a correr com suas perninhas tão pequenas. Olhei pra ela, e falei "vou te pegar". Foi o bastante pra ela sair correndo ainda mais feliz, parou um pouquinho e falou pra mãe: "Mãe to brincando com ela". E a mãe disse: "Legal, vc fez uma amiguinha". Minha amizade com a pequenina durou meio quarteirão, até eu entrar na padaria para pegar o pãozinho nosso de cada dia. Ai já estava pensando em como a alegria pode ser fácil.. E foi assim, que na minha curta caminhada, do trabalho pra casa, encontrei duas amizades, dessas que duram o tempo de um instante, mas deixam marcas pra uma vida toda.
Belo Horizonte, 29 de setembro de 2014.