domingo, 29 de septiembre de 2019

Viajar sozinha


Sobre viajar sozinha

Muita gente pensa que viajar sozinha é sobre aprender a se virar sozinha. Não é. Pelo menos, não para mim: uma atrapalhada confessa! Quem me conhece sabe que tenho dois grandes dons na vida, que se manifestam especialmente nas viagens: arrumar confusão e achar quem me ajude a resolver. Não são grandes confusões as em que eu me meto, são pequenos apertos, daqueles que eu penso: "e agora, Deborah? Como vamos fazer?" E sempre encontro quem me socorra! São vários os episódios que deram frio na espinhela e agora são motivos de risadas. Viajar sozinha é abrir-se à solidariedade universal, que independente de laços de afeto pré-existentes. É aprender a pedir ajudar a desconhecidos, a confiar em quem nunca viu e talvez nunca volte a ver. E claro, contar com o apoio certo da família e dos amigos, que à distância nos salvam! Com esses sabemos que podemos contar sempre, o que nos dá tranquilidade de alma pra podermos ir muito além do que seus olhos vão nos alcançar. Viajar sozinha não é tanto sobre saber estar sozinha, é sobre saber que a fraternidade (e sororidade!) humana não se restringe ao pequeno círculo de pessoas especiais que vamos escolhendo ao longo da vida pra caminhar ao nosso lado. A bondade é humana está no mundo todo, em todo canto e é delicioso encontrá-la, seja fazendo novos amigos, seja contando com o apoio breve de passageiros! Como canta o Mestre Gonzaguinha: "é tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense estar". Então, este texto é uma pequena sementinha de coragem pra quem tem vontade de ir sozinha: vai, e depois me conta! Já quero ouvir suas histórias!

Texto escrito na véspera da viagem para Cuba
BH, set/18

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