O que a Sheila tem a nos ensinar?
Conheci a Sheila na última quarta-feira de cinzas. Numa praia da Bahia. Lá estava ela, toda poderosa de biquini amarelo e copo de cerveja na mão.
Estava com amigos e pareceu-me tão à vontade em seu corpo, que tive vontade de ir conversar com ela porque senti que ela tinha algo a nos ensinar. E tivemos um papo super legal, sobre autoestima, gordofobia e liberdade. Sheila é carioca, e as mineiras têm sempre muito a aprender com as cariocas. Sobre leveza e autenticidade.
Estava com amigos e pareceu-me tão à vontade em seu corpo, que tive vontade de ir conversar com ela porque senti que ela tinha algo a nos ensinar. E tivemos um papo super legal, sobre autoestima, gordofobia e liberdade. Sheila é carioca, e as mineiras têm sempre muito a aprender com as cariocas. Sobre leveza e autenticidade.
Lógico que eu não ia perder a oportunidade de fotografar uma mulher linda e cheia de atitude assim. Propus e ela topou de cara! Teve super paciência com essa aprendiz de fotográfa que lhes escreve e nos divertimos à beça, eu brincando de fotográfa, ela brincando de modelo.
É brincadeira, mas é sério. Precisamos falar sobre corpos gordos. Esse assunto tem estado nos meus pensamentos desde que soube que uma pessoa muito querida não vai a praia, por se sentir incomodada de ficar de biquini. Depois assisti a uma reportagem com blogueiras gordas, que estão reinventando a visão sobre a gordura, superando traumas e comecei a pensar sobre como nunca tinha parado para refletir sobre o verdadeiro sofrimento a que são submetidas pessoas gordas, em especial, as mulheres.
Por isso o encontro com Sheila veio a calhar, por ser a oportunidade de trazer isso à tona com beleza. Com a beleza da Sheila. Contei a ela sobre o meu próprio desconforto com minha barriga, sobre como em Minas não me sinto à vontade para frequentar festas em piscinas. Ela me olhou com aquela cara de "deixa de ser boba". Estou tentando, Sheila. Pelo menos quando saio das montanhas já me liberto. Já não custo tanto a tirar a canga como das primeiras vezes na praia. O Rio me ensinou a me libertar. A ir a praia com menos vergonha e mais vontade de curtir o sol e o mar. Quantas outras ainda precisam se libertar? E quanto mais eu preciso a amar meu corpo? Sem hipocrisias, hoje estou tentando perder uns quilos que se acumularam nos últimos tempos, mas já aprendi a tratar com gentileza esses quilos extras.. Tento sempre me lembrar que são resultado de muitos dias de comida boa, vida sossegada e cerveja gelada. Oxalá, eu aprenda cada vez mais a celebrar no lugar de reclamar.
Eu pensei em fazer um texto sério para falar sobre gordofobia, mas dando um google vi que já tem muito texto sério sobre o assunto. Como essa excelente matéria da Galileu (veja aqui Matéria da Galileu) sobre o assunto. Um dos dados mais interessantes é sobre pesquisas recentes que questionam o dogma da gordura x saúde. Destaco o trecho a seguir, só para terem noção:
Estudo recente encabeçado por psicólogos da Universidade de Los Angeles (Ucla) apontou que usar o IMC para determinar índice de saúde levou à classificação incorreta de 54 milhões de americanos saudáveis como “doentes”. De acordo com a pesquisa, que cruzou dados de IMC com os de exames laboratoriais, quase metade dos norte-americanos considerados acima do peso conforme seus índices de massa corporal são saudáveis, assim como aproximadamente 20 milhões de obesos. Além disso, mais de 30% das pessoas com o IMC considerado normal na verdade não estão saudáveis. Conclusão? Obesidade não é sinônimo de doença, assim como magreza não é sinônimo de saúde.
Além disso, a matéria mostra como o preconceito com a gordura ultrapassa a relação com o espelho, biquinis e posts nas redes sociais e chega a todos os âmbitos da vida da mulher, em especial, as relações afetivas e o mercado de trabalho.
Tenho pra mim muito claro que se a obesidade pode levar a doenças, é a gordofobia que impede de viver. Viver no melhor do seu significado: de aproveitamento dessa chance única de saborear o mundo nos poucos anos que nos cabem estar em um corpo. Um corpo, que independente de forma, deveria ser festejado, só por ser esse o espaço para a experiência única e individual que é a existência.
Mas por saber que já tem muita gente séria tratando do assunto e que interessados em conhecer sobre o assunto podem googlar à vontade, eu não vou tratar do tema.
Sheila me conta que dos 18 aos 25 anos lutou, com horas diárias na academias, remédios e idas aos consultóros médicos contra a gordura em seu corpo. Até que percebeu que poderia sim, ser feliz num corpo gordo. E passou a valorizar a sua beleza. Pergunto para ela como é em seu ciclo social. Se enfrenta preconceito. Ela me responde que se tivesse continuado ali naquele mundinho de academia, onde ser magro é o objetivo de vida, provavelmente ela estaria sim, tendo problemas. Mas ela resolveu reprogramar a relação com o corpo e com o mundo.
Acho que podemos chamar isso de amadurecimento. Hoje Sheila tem 38 anos e prepara-se para
festejar os 40 anos daqui a pouco. Do maiô ao biquini comportado, do biquini comportado ao ousado, foi conquistando a liberdade de estar na praia. De estar no mundo. Estar onde quiser. Nas lojas de griffes, exigindo tamanhos GG. Na companhia de quem lhe atrai, esbanjando autoconfiança, sedução e simpatia. De estar na família, ensinando às crianças e aos adolescentes que por vezes se sentem tristes com comentários maldosos sobre gordura, que se impor é preciso. E de estar na Bahia, comendo acarajé acompanhado de cerveja gelada. Curtindo o carnaval, como deve ser!
Sheila se orgulha de não ter vergonha do seu corpo e de desfrutar o mundo,
sem medo de ser feliz!
É isso que temos a aprender com Sheila:
a ir à praia!
A ir à vida!
Gente como amo minha amiga..q orgulho de vc meu amor
ResponderBorrarParabéns, irmã!!
ResponderBorrarObrigada, por me ler desde sempre!
ResponderBorrarEssa menina é uma delícia de pessoa!! Impossível não se sentir bem ao lado dela. Mil beijos Sheilinha!!!
ResponderBorrarAmiga você arrasa,sempre linda e maravilhosa te Adoro
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