domingo, 29 de septiembre de 2019


Primeiro de setembro é a aurora
Da primavera
Revirei a estante
Abri Pessoa, Meireles e Sanchez
Mas somente por hoje
Não me disseram nada
Pois farei eu mesma
Meu próprio poema
Com caneta, papel e sangue
Farei com minhas próprias mãos
Como minha mãe
Que cria seu próprio alimento
Alimentando porcos
E metendo a enxada na terra
Pra cavar sua força
E semear esperanças
Hoje também sou camponesa
Senão de trabalho, do que resta de meus avós
Correndo em minhas veias
Estou me plantando neste poema
Crescerei
Em meio a anseios, raivas
Chuvas com raios
Desejos
De ventos e beijos
Sol que queima
E sombras que abrigam
Mas também escondem
Há ervas daninhas
Mas que se danem!
Que de toda merda
Se faça esterco
Tenho raízes
Folhagens e de vez em quando
Até floresço
É quase primavera, afinal!
Tenho também um coração
De brisa e aço
No peito de um mineiro
Cabe a dureza
Do minério
E o encanto de todos os mistérios!
E agora, pronto
Que já tenho meu poema
De sábado
Vou dá-lo em oferenda
Aos Deus do tempo
Que habita todos os dias da semana
Sem estar em altar de nenhum templo
Só por isso
Nao irei à missa de domingo

BH, set/18

No hay comentarios.:

Publicar un comentario

Eu estou interessada na poética da vida. Que é muito mais que a poesia dos livros. Embora, justica feita, seja essa, a que nos desperta,...