domingo, 3 de febrero de 2019

De grão em grão

De grão em grão 
A galinha não enche o papo
De grão em grão
Ela aumenta sua fome
Aprende a degustar
Vai mais longe buscar grãos
Mais saborosos
Alguns
Prova e cospe 
Outros lhe parecem ruins
Mas engole 
Alguns gosta tanto
Que rumina, rumina
E leva-os para o galo
E diz-lhe toda toda empolgada:
"Fecha os olhos e abre o bico"
Outros, de tão bons!
Ela não tem coragem de comer sozinha
Guarda-os num canto do ninho
Pra dividir com os amigos
Em dia de festa no galinheiro
Tem os que ela prova enganada
E vomita, assim que pode
Há os que ficam entalados na garganta
E os que são tão apetitosos, que nem toca!
Tem uns que não parece 
Mas são bem gostosos
De grão em grão 
A galinha não enche o papo
Ela nunca se sacia
Porque descobriu 
Que mais que o corpo
Gosta de alimentar a alma
E essa nunca se dá por satisfeita
Renova com cada grão
A eterna fome 
De viver
De grão em grão
Não enche o papo
Porque so tem papos furados
Adora inventar 
Que pode voar
Com suas pequenas asas!

Belo Horizonte, 31 de janeiro de 2018.

No hay comentarios.:

Publicar un comentario

Eu estou interessada na poética da vida. Que é muito mais que a poesia dos livros. Embora, justica feita, seja essa, a que nos desperta,...