De grão em grão A galinha não enche o papo De grão em grão Ela aumenta sua fome Aprende a degustar Vai mais longe buscar grãos Mais saborosos Alguns Prova e cospe Outros lhe parecem ruins Mas engole Alguns gosta tanto Que rumina, rumina E leva-os para o galo E diz-lhe toda toda empolgada: "Fecha os olhos e abre o bico" Outros, de tão bons! Ela não tem coragem de comer sozinha Guarda-os num canto do ninho Pra dividir com os amigos Em dia de festa no galinheiro Tem os que ela prova enganada E vomita, assim que pode Há os que ficam entalados na garganta E os que são tão apetitosos, que nem toca! Tem uns que não parece Mas são bem gostosos De grão em grão A galinha não enche o papo Ela nunca se sacia Porque descobriu Que mais que o corpo Gosta de alimentar a alma E essa nunca se dá por satisfeita Renova com cada grão A eterna fome De viver De grão em grão Não enche o papo Porque so tem papos furados Adora inventar Que pode voar Com suas pequenas asas!
Belo Horizonte, 31 de janeiro de 2018.

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