Vindo das festas
Desço do ônibus
No centro de uma cidade
Que só oferece Horizontes
Aos homens tidos como Belos
Não para os moradores
Do entorno da rodoviaria
Que fazem da rua
Uma casa sem afeto
Para os que não têm teto
Ninguém ali foi passear
No Natal
Não pularam sete ondas
Só fizeram uma oração
Quando viram o ano virar
De um dia pro nada
O menino no colo da mãe
Debaixo da marquize
Não ganhou visita do papai noel
Nem do papai biológico
O motorista estressado
Que agora tem que dar o troco
Para os quatro reais e cinco centavos
Desde que os que andam
Em carros blindados
Decidiram que o trocador
Era um trabalhador dispensavel
Não dirige o seu futuro
O garoto que pede moeda no sinal
Não dá sinais de que teve esperancas
Quando o relógio marcou a meia noite
Da que nasceu um ano
Com cara de tempos passados
Um ano não pode ser novo
Quando a cidade mantém
A velha desigualdade
"Eu meio que escrevo no meio do dia, pra não ficar no meio de um beco sem saída. Nem em cima do muro que divide o mundo. Meio que escrevo quando não tenho outro meio de mudar o meu meio. Meio que escrevo pra não ser só um meio de mim!" Em forma de versos e prosas, pequenos fragmentos de existência por Déborah Amaral
martes, 1 de enero de 2019
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