Há uma cidade que me acolhe
Outra hora, encolhe-me
Quando nao me engole
Outra hora, encolhe-me
Quando nao me engole
Essa cidade tem uma praça feita pra Liberdade
Até pros doidos, que defendem a volta dos militares
Tem outra praça pro Papa
Onde nunca fui pra rezar
Mais uma pra bandeira
Que quase ninguem mais carrega
Sem falar daquela outra, em que todo mundo ja pintou o Sete
Debaixo do Pirulito
Até pros doidos, que defendem a volta dos militares
Tem outra praça pro Papa
Onde nunca fui pra rezar
Mais uma pra bandeira
Que quase ninguem mais carrega
Sem falar daquela outra, em que todo mundo ja pintou o Sete
Debaixo do Pirulito
So nessa cidade
Ha uma lagoa seca
Um Palacio das Artes
E uma Casa do Baile
Feita com mais curvas
Que as desculpas turvas
Dos homens na Guaicurus
Ha uma lagoa seca
Um Palacio das Artes
E uma Casa do Baile
Feita com mais curvas
Que as desculpas turvas
Dos homens na Guaicurus
Mas no Mercado Central a gente finge ser normal
E muitos juram ser ate gostoso
Comer sem dó
Figado com jiló
E corpos vendidos ao relento do vento
Na Pedro II
Ou no alto da Afonso Pena
Ninguem vai se preocupar em aquecer os esquecidos nas ruas escuras
E muitos juram ser ate gostoso
Comer sem dó
Figado com jiló
E corpos vendidos ao relento do vento
Na Pedro II
Ou no alto da Afonso Pena
Ninguem vai se preocupar em aquecer os esquecidos nas ruas escuras
Ja na Rodoviaria chegam gentes de todos os interiores
Despejam malas e malas
De queijos e anseios
Como da moca que passou no vestibular
Ou do senhor que so veio porque precisa operar
Despejam malas e malas
De queijos e anseios
Como da moca que passou no vestibular
Ou do senhor que so veio porque precisa operar
Logo ali
No parque municipal
Um artista mal quisto
Desenha por vinte reais
A operaria cansada
De olhar mais perdido
Que os juizos das meninas
Quando bebem catuaba
No ensaio de carnaval
No parque municipal
Um artista mal quisto
Desenha por vinte reais
A operaria cansada
De olhar mais perdido
Que os juizos das meninas
Quando bebem catuaba
No ensaio de carnaval
É nessa cidade com uma esquina a cada bar
Poesia em latas de lixo e
tres vendedores de amendoim por quarteirao
Entre sacos cheios e porres vazios
Pela janela do onibus ou no copo de cerveja
Com bom dia mal respondido ou sorriso de desconhecido
Que todo mineiro peleja pra nao perder aquele trem
Chamado Belo Horizonte
Poesia em latas de lixo e
tres vendedores de amendoim por quarteirao
Entre sacos cheios e porres vazios
Pela janela do onibus ou no copo de cerveja
Com bom dia mal respondido ou sorriso de desconhecido
Que todo mineiro peleja pra nao perder aquele trem
Chamado Belo Horizonte
14/12/2017

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